Montanha, Avô, Tao

“Uma viagem de mil léguas inicia-se debaixo dos pés.” Esse pensamento presente no capítulo 64 do Tao Te Ching foi um legado deixado por Lao Zi, fundador da filosofia taoísta por volta do século 6 A.C, na China antiga. Cada jornada, cada escolha, cada plano, por mais grandioso que seja, sempre se inicia com uma pequena ação, um passo. É a saída do estado de inércia para a entrada no estado de movimento. O estado da consciência manifestada no físico. No I Ching, uma das quatro virtudes naturais é o Princípio. Sem o Princípio, não existiria a possibilidade da manifestação vir a ser.

Foi assim, uma experiência vivida nos Andes, ao subir um “cerro” sagrado com 5.600 metros de altitude. Um passo por vez. Subir uma montanha dessa proporção requer Gen – Quietude interna, respeito aos ancestrais e a virtude da “paciência e persistência” perante os obstáculos. Zen – a Comoção e explosão de movimento necessário para a escalada e lidar com os imprevistos naturais que acontecem e que fazem parte na dinâmica da vida. E Dui – a Alegria espontânea de fazer parte da natureza, compartilhar experiências com o mundo a nossa volta e com quem amamos e mesmo assim manter a serenidade, assim como um lago calmo consegue refletir perfeitamente o céu. Desafio, autoconhecimento, auto superação.

A subida é como a Realização. Seguindo uma trilha que pode ser vista do pé da montanha, mas com aspectos desconhecidos que vão se revelando a cada passo. Apreciar a caminhada sem perder o foco. Manter-se na trilha, não se desviar ou dispersar por mais tentador que outras trilhas possam parecer ou por mais cansado que o corpo possa estar. A montanha é como um puma indicando o caminho. Com humildade, podemos ganhar sua confiança e a montanha pode se mostrar, revelando por onde, como, quando e quanto acessa-la. Seu cume é visto por todos a quilômetros em todas as direções, mas nem todos podem, devem ou precisam alcança-lo. É uma Realização individual-coletiva física, emocional e mental. Cada mineral, floco de neve, grão de areia, vegetação e animais fazem parte deste contexto, desempenhando um papel indispensável ao equilíbrio desse ser divino-terrestre.

A paciência deve ser sólida. Qualquer pequena infiltração de dúvida ou medo já é suficiente para agitar o lago, desestabilizando a mente. Pensamentos como “falta muito? ”; “está longe? ”; “estou perdido? ”; passam pela mente como o vento frio do Oeste: ininterruptamente.  A percepção transita entre a Aproximação – cada pequeno detalhe apreendido –  à Contemplação – visão e sensação de amplitude mirando o horizonte 360°. Finalmente no topo, encontra-se a Paz. Uma porção grandiosa de Terra que se ergueu há milhões de anos em direção aos Céus, e o Céu imensurável que gentilmente desceu até aos limites terrestres. Somos, no meio, uma simples testemunha desse milagroso evento natural mundano, nesse tempo e espaço em espiral contínua.

Só resta daí a Retidão. A descida que inicia por um passo. “Uma viagem de mil léguas inicia-se debaixo dos pés. ” Do Oeste para o Leste – nascimento – e do Leste para o Oeste, o retorno.

Por André Lacroce

 

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